A Reforma Protestante

No dia 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano, Martinho Lutero, afixou suas 95 teses na Catedral de Wittemberg na Alemanha, em protesto aos abusos promovidos pela igreja de seu tempo. Em época de profundas mudanças culturais, sociais e religiosas na Europa, esse acontecimento marcou o grande avivamento religioso ocorrido no século XVI, promovendo uma grande reforma nos corações e mentes dos ministros do Evangelho, dos reis e do povo em geral, à medida que a Bíblia tornava-se novamente a única regra de fé e prática da Igreja de Cristo. A partir desse retorno à Bíblia, nasceu a Igreja Presbiteriana.

Nossa Origem

A origem da Igreja Presbiteriana encontra-se nesse período da história denominado de Reforma Protestante (século XVI). Ela é a correspondente calvinista na Grã-Bretanha e da Igreja Reformada no continente europeu. Sua forma histórica de governo eclesiástico (presbiteriano) mais característica provém da igreja calvinista escocesa, fundada por John Knox (século XVI). Seu sistema de liturgia e culto está mais próximo das igrejas puritanas inglesas (século XVII). Desses países, o presbiterianismo expandiu-se para o mundo, sendo uma das denominações protestantes históricas mais conhecidas em países tão distintos como os Estados Unidos e a Coréia do Sul.

No Brasil, o presbiterianismo foi estabelecido por missionários norte-americanos (século XIX). Foi o Rev. Ashbel Green Simonton, o primeiro missionário presbiteriano que chegou ao Brasil, no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1859, com apenas 26 anos de idade. Do Rio Janeiro até alcançar todos os Estados da nossa imensa federação já somamos 160 anos de presbiterianismo brasileiro.

Em Itu-SP, os primeiros missionários chegam com o objetivo de iniciar um movimento religioso protestante-presbiteriano, por volta de 1907. Com o nome de Igreja cristã presbiteriana de Itu é organizada a nossa primeira Igreja, em 25 de julho de 1937. No bairro Jardim Aeroporto, a nossa Igreja Presbiteriana foi organizada em 16 de agosto de 1998, para adorar a Deus e servir ao próximo.

Em que Cremos?

Diferente dos sistemas de governo eclesiásticos episcopais e congregacionais, o sistema de governo é o nome da própria denominação, o Presbiteriano. Nesse sistema, o governo da igreja local é exercido pelo Conselho, formado pelo pastor (docente) e pelos presbíteros (regentes), eleitos pela assembléia da Igreja, com os devidos critérios. A Igreja local está subordinada ao Presbitério (Indaiatuba), ao Sínodo (Sorocaba) e ao Supremo Concílio (Brasil), regidos por uma Constituição, Estatutos, Princípios de Liturgia e Código de disciplina.

Em termos de doutrina, a Igreja Presbiteriana é denominada reformada-calvinista. Ela adota como símbolos (ou resumos) de fé cristã a Confissão de Fé e os Catecismos Maior e Menor de Westminster, redigidos entre 1643 e 1646, por cerca de 160 teólogos ingleses e escoceses. Cremos que estes documentos teológicos reformados expressam com precisão o ensino da Palavra de Deus.

Os herdeiros da Reforma protestante empregaram cinco termos latinos para resumirem a sua fé. E, como Igreja herdeira da Reforma, nós os subscrevemos. São eles:

(1) Sola Scriptura (somente a Escritura): A base da nossa doutrina, a forma de governo, o culto e as práticas eclesiásticas, os usos e costumes, não está no tradicionalismo, no sonho do grupo ou na opinião do líder religioso; mas, no estudo, interpretação e submissão às Escrituras. Cremos que a Palavra de Deus registrada no Antigo e no Novo Testamento, embora escrita por autores humanos, foi inspirada e revelada por Deus, de modo a garantir sua inerrância, autoridade, suficiência e clareza.

(2) Solos Christus (somente Cristo). Não temos nenhum outro mediador pelo qual o homem seja reconciliado com Deus, a não ser Cristo, a segunda pessoa da Trindade, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Cremos que a sua morte na cruz expia (paga e elimina) completamente a culpa de todos aqueles que nele creem, redimindo-os do pecado; e que a sua vida perfeitamente justa, santa e obediente à lei de Deus, lhe permite justificar (considerar justo) todos quantos o Pai lhe deu.

(3) Sola Gratia (somente a graça). Cremos que a salvação do homem não decorre de nenhum tipo de boas obras meritórias que venha a realizar; mas, sim, do favor imerecido de Deus. Em decorrência da queda, todo ser humano nasce com uma natureza totalmente corrompida, de modo que não pode vir a agradar ou merecer a Deus; a não ser, pela ação soberana e eficaz do Espírito Santo, o único que ilumina corações e convence o homem do pecado, da culpa, da graça e da misericórdia de Deus em Cristo Jesus.

(4) Sola Fide (somente a fé). Fé é o meio pelo qual o Espírito Santo aplica e habilita ação regeneradora no coração humano. Nenhum homem pode ser salvo, a não ser que creia na eficácia da obra de Cristo, confiando-se inteira e exclusivamente a ele. Entendemos por fé, não um sentimento humano vago e infundado, mas o dom do Espírito Santo, pelo qual o pecador é convencido da culpa e do erro e se arrepende e estenda as mãos vazias para receber de Deus o perdão imerecido.

(5) Soli Deo Gloria (só a Deus glória). Cremos em um Deus absolutamente soberano, Criador e Senhor da História e do Universo, “que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade”. Cremos que na obra da salvação toda a glória pertence a Deus. O fim principal do homem e da religião não é o bem-estar, a saúde física, a prosperidade, a felicidade, ou mesmo a salvação do homem. É, sim, a glória de Deus, o louvor da santidade, justiça, fidelidade, poder, sabedoria, graça, bondade e de todos os atributos de Deus. O homem é que foi criado para o louvor da glória de Deus.